Terça-feira, 16.05.17

Invernos

Invernos.jpg

E o silêncio ecoou

Numa imensa oração

Nada então se escutou

A não ser o coração

 

E a alma aproveitou

Para se limpar da razão

Que em tempos a sujou

Por não ter tido atenção

 

Dizem são coisas da fé

Entre o céu e o inferno

Neste mundo pequenino

 

Mas se nada é como é

Pode ser que no inverno

Eu me faça peregrino.

publicado por poetazarolho às 00:12 | link do post | comentar
Quinta-feira, 04.05.17

Espinhos

Espinhos.jpg

Momento da caminhada

Caminhamos caminhando

E até sem ver a estrada

Caminhamos confiando

 

Mais não posso explicar

Pois não tenho explicação

Mas insisto em caminhar

Tão forte sinto a pulsão

 

Pode chover, trovejar

Os seis dias do caminho

Ao sétimo vou descansar

 

Não me sentirei sozinho

A obra vou contemplar

Seja a rosa ou o espinho.

publicado por poetazarolho às 22:52 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 02.05.17

Abraço ficcional

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A vida sente-se entrar

Nas veias, no coração

Quando temos p’ra dar

Sem questionar a razão

 

Muito mais que partilhar

Somos matéria em fusão

Do mundo a recomeçar

Numa nova direcção

 

Daqui pode não passar

Ser apenas uma ficção

Dessa outra realidade

 

Que nos vem espreitar

Antes de tomar a decisão

De abraçar a humanidade.

publicado por poetazarolho às 00:18 | link do post | comentar
Quarta-feira, 26.04.17

Bolhas de sabão

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No mundo em guerra fria

Fervilhante de emoções

Aproxima-se o novo dia

Livre de tod’as explosões

 

Eclodiremos em alegria

Depois de tod’as revoluções

Como há muito não se via

Carregados de chavões

 

E os asteróides de papel

Transformados em ilusão

Iludirão o assustador

 

Viveremos num carrossel

Ou numa bolha de sabão

Sem espreitar o exterior.

publicado por poetazarolho às 07:22 | link do post | comentar
Sexta-feira, 07.04.17

Sentença assinada

Setença assinada.jpg

Não me pesa a leveza

Deste caminho tão duro

Percorrido com destreza

Respirando o ar mais puro

 

Só me pesa a certeza

De que existe um futuro

Desprovido de beleza

Sem amor e tão impuro

 

Onde vida é indiferença

Onde poesia é matança

Onde música é explosão

 

Assinámos a sentença

Matámos a esperança

Ao ignorar a situação.

publicado por poetazarolho às 21:51 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 04.04.17

Loucuras

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Distribuamos a loucura

Que suporta a realidade

Assumamos que perdura

Lampejando insanidade

 

Fundamento de procura

Da mais pura necessidade

Duma sanidade impura

Que fractura a verdade

 

Não procuremos melhor

Onde a relatividade impera

Façamos apenas diferente

 

Com este desígnio maior

Semear a paz na terra

Colher amor permanente.

publicado por poetazarolho às 23:49 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 02.04.17

Prisioneiros

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Prisioneiros da sociedade

Porque ela nos oferece

Espasmos de felicidade

Nesta teia que nos tece

 

Contratos de solidariedade

Que o contratante esquece

Imposições da verdade

Que no tempo prevalece

 

Somos forma sem sentido

Somos a peça engrenada

Na estranha forma de ser

 

Pois o que é construído

Vale tudo e vale nada

Temos tudo sem nada ter.

publicado por poetazarolho às 23:04 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 25.03.17

Viagem improvável

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Estou aqui mas ausente

Numa viagem improvável

O futuro fez-se presente

Com resultado imponderável

 

Encaro o passado de frente

Sentido como inalienável

Pedra angular consistente

Duma construção memorável

 

Prosseguindo esta viagem

Por um caminho repleto

De esquinas indefinidas

 

Donde resulta a miragem

Deste percurso incompleto

Com experiências intuídas.

publicado por poetazarolho às 20:21 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quinta-feira, 23.03.17

Somos instantes

Somos instantes.jpg

Não quero mais do que quero

Não posso mais do que posso

Por não poder não desespero

Por não querer não destroço

 

Tudo é vida e tudo é morte

São os mundos paralelos

Joga-se ao azar e à sorte

Lembram-nos ao esquecê-los

 

Neste sopro que é a vida

E onde parecemos girar

Em torno de leis inconstantes

 

Nada está ganho à partida

Nem tão pouco ao chegar

Ou sequer nos breves instantes.

publicado por poetazarolho às 00:26 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 19.03.17

Sombras

Sombras.jpg

Só as sombras não me iludem

Com seu aspecto acinzentado

Ao recorte aproximado aludem

Seguindo-me p’ra tod’o lado

 

Como guarda-costas fiéis

De segredos e outras estórias

Também usam os meus anéis

E guardam minhas memórias

 

Se eu durmo estão acordadas

Se acordo assim permanecem

Sem regatear tanto serviço

 

Nunca as encontrei chateadas

E também nunca se esquecem

Deste permanente compromisso.

publicado por poetazarolho às 21:49 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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