Mea culpa

 

Mar de gritos, de mortes e de côres

é a Vida! E céu de névoas e de raios,

e de madre de manhãs e de desmaios

do luar e das águas - meus amores.

 

É a Vida aquela Noite da Paixão

e os remorsos, e os crimes, e os segredos;

meu coração a arder entre os teus dedos,

e a sombra, como sangue pelo chão!

 

A ela, aqui, sózinho, do meu Sagres,

com saudades, com febre, com delírios

e gulas de prodígios e milagres,

 

sou aquele que trás novos sinais:

- incensos, raivas, orações, martírios -

e entrego só palavras - nada mais!...

 

De António de Sousa, extraído de "Caminhos" 1ª Ed.1933, com dedicatória do autor a Tomás da Fonseca e esposa.

publicado por poetazarolho às 14:01 | link do post | comentar