Quinta-feira, 30.06.11

Poema de cordel

 

Eu já estou além de mim

Tenho poesia a sobejar

Por favor venham buscar

Ou versos fazem um motim

 

Temo pela sua segurança

Que um verso descontrolado

É bem pior que um tornado

Mas depois chega a bonança

 

Pois um verso apaixonado

É também verso d’esperança

Nunca viram um verso furioso

 

Eu sei dum verso quebrado

Quebrou-se numa mudança

Tornou-se num verso jocoso.

publicado por poetazarolho às 23:53 | link do post | comentar

Vala comum

 

Pessoas são descartáveis

As cautelas de penhor não

Tempo de grande confusão

Origina chagas insanáveis

 

Se atravessas o mediterrâneo

A bordo de uma casca de noz

Anda cá, não te juntes a nós

Nunca serás um conterrâneo

 

Nossa terra é todo o mundo

Mas se vires lá bem no fundo

O teu mundo é nauseabundo

 

Nosso mundo é bem cheiroso

Tem um futuro assombroso

Todo este mundo é tenebroso.

publicado por poetazarolho às 00:08 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 29.06.11

Alma minha

 

Fui dar de beber à dor

Mas ela não tinha sede

Pr’a bem da sua saúde

Pus um bife no assador

 

Também não tinha fome

Mais um esforço em vão

Venho a descobrir então

Dor não bebe nem come

 

Intrigado com o mistério

Procurei com muita calma

Qualquer possível critério

 

Para ver se a dor acalma

Mais um esforço inglório

Era uma dor cá da alma.

publicado por poetazarolho às 00:06 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 27.06.11

A lágrima

 

 

A lágrima trago dentro de mim

Lágrima que não chora sua sorte

Esta é uma lágrima muito forte

Ela que já aguentou vento norte

 

Nunca havia visto lágrima assim

Mesmo contra toda a adversidade

Longe dos tempos de mocidade

Ela encontra forças sem vaidade

 

É uma experiência surpreendente

Forças supremas e arte de resistir

Poder testemunhar minha gente

 

Vocês hão-se pensar, está a mentir

Mas eu sei esta lágrima é diferente

Esta lágrima eu vi um dia a sorrir.

 

http://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/

 

http://mariajoaobritodesousa.synthasite.com/

publicado por poetazarolho às 00:13 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 26.06.11

Chama-me cão

 

O mal que de mim dizem

Digam-no à minha frente

Se não é-me indiferente

Gosto que me baptizem

 

Nunca cheguei a Napoleão

Nem ao calcanhar d’Aquiles

Eu gosto que me aniquiles

Até podes chamar-me cão

 

Um dia, talvez quem sabe

Mercê de rasgados elogios

Não havendo quem me gabe

 

Terei por mim compreensão

Pois todos estes adjectivos

Hão-de de ter repercussão.

publicado por poetazarolho às 02:13 | link do post | comentar
Sexta-feira, 24.06.11

O moiral

 

Falta de experiência

Não é um problema

Da vontade ausência

Constitui um dilema

 

Quem pode não faz

Mas quem quer sim

Sempre tem sido assim

Mesmo sem um capataz

 

Mas se preciso fôr

Arranja-se um moiral

Pr’a na ordem os pôr

 

Porque o Zé-povinho

Anda a passar mal

Com tanto desalinho.

publicado por poetazarolho às 21:13 | link do post | comentar
Quinta-feira, 23.06.11

Próxima saída

 

A maioria silenciosa

Fez um enorme alarido

A minoria ficou receosa

Nem soltou um gemido

 

Terminada a algazarra

A minoria veio espreitar

Por terra jazia uma guitarra

A maioria fora-se deitar

 

Ainda acordada a minoria

Ao dedilhar aquelas cordas

Compôs um hino à utopia

 

Vem maioria junta-te a nós

Se cantarmos a uma só voz

Futuro não teremos atroz.

publicado por poetazarolho às 15:48 | link do post | comentar
Quarta-feira, 22.06.11

Os passarinhos

 

Olhó passarinho meninos

Vamos dominar o passarão

Esse mesmo, a corrupção

Ou continuamos pequeninos

 

Trabalhai com mil cuidados

Abrutes vão surgir esfomeados

E chegarão de todos os lados

Muitos até bem recomendados

 

Cuidado ou sereis enredados

Em esquemas bem montados

Do ninho os ovos serão roubados

 

E coitadinhos dos passarinhos

Se não defenderem seus ninhos

Perderão da nação os filhinhos.

publicado por poetazarolho às 17:01 | link do post | comentar
Segunda-feira, 20.06.11

Boa nova

 

S. António é de Lisboa

E o São João é do Porto

Antes qu’isto dê pr’o torto

Contem lá uma coisa boa

 

Nobres filhos desta nação

Saibam a crise é passageira

Também passou a primeira

Nos tempos d’el Rei D.João

 

Preocupai-vos ligeiramente

Ide pr’a praia com a geleira

Mergulhai e dormitai n’areia

 

Se el Rei à primeira fez frente

Esta não mete medo à gente

Sabei esta crise é passageira.

publicado por poetazarolho às 23:19 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 19.06.11

O abismo

 

A nossa tentação pelo abismo

Manifesta-se como tendência

Temos uma grande experiência

Para números de ilusionismo

 

E em tempos de globalização

Fomos atrás de uma falácia

E sem qualquer perspicácia

Criou-se em nós esta ilusão

 

Não será necessário produzir

É fácil basta apenas consumir

Para a economia prosperar

 

Que o abismo é ali adiante

Só tens que dar salto gigante

Para o conseguires ultrapassar.

publicado por poetazarolho às 21:53 | link do post | comentar

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