Sexta-feira, 30.09.11

Novo olhar

 

Das rosas nascem sorrisos

E do seu perfume a poesia

Eu é que agradeço pelo dia

E todos os seus improvisos

 

Até aprendi o que não sabia

Na parede do meu santuário

Uma ceifeira d’olhar solitário

Pl’a mão de Manuel de Pavia

 

Há dez anos aí permanecia

Numa orfandade angustiante

Mas mercê desta feliz ocasião

 

A meus olhos seu pai aparecia

E por isso deste dia em diante

Seu olhar abandonou a solidão.

publicado por poetazarolho às 07:15 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quarta-feira, 28.09.11

Abstracto poema

 

Azul a primeira pincelada

Seguido de rima perversa

Não procura mostrar nada

Tão pouco se o lês à pressa

 

Dou-lhe retoque de amarelo

Atiro-lhe amorfas palavras

Surge tão feio, quanto belo

Se o lesses lento gostavas?

 

Uma mancha disforme cresce

Uma ideia tenta transformar

Olho não vejo, leio com afinco

 

Uma ideia surge, não floresce

Algo de novo está a chegar?

Não sei, venham mais cinco.

publicado por poetazarolho às 23:42 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Terça-feira, 27.09.11

Apologia do medo

 

Há mais medo de coisas más

Do que coisas más que existem

Neste mundo onde não há paz

Onde a guerra e fome subsistem

 

Há mais muros do que estradas

E fantasmas criados em segredo

Novas geografias são moldadas

Para restaurar o medo do medo

 

E este medo assim restaurado

Converte cada um em soldado

Dum grande exército sem nome

 

O estado de sítio foi decretado

Racionalidade e ética são passado

Medo que o medo acabe é enorme.

 

Inspirado em: “Conferências do Estoril 2011 - Mia Couto”

http://www.youtube.com/watch?v=jACccaTogxE&feature=player_embedded

publicado por poetazarolho às 23:18 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Segunda-feira, 26.09.11

A queda do império

 

Portugal vai mostrar ao mundo

Mas o mundo não quer saber

Que o mundo está moribundo

Não sabemos se vai sobreviver

 

Todos os países devem milhões

Dívida soberana a isso obriga

Nenhum cumpre as obrigações

Mas alguns têm o rei na barriga

 

Não tarda a grande indigestão

Para o equilíbrio reintroduzir

Será nauseabundo o seu odor

 

Apenas alguns se salvarão

E o pior ainda está pr’a vir

Não há transformação indolor.

publicado por poetazarolho às 00:18 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sábado, 24.09.11

Irmãos

 

Ó irmão de meu irmão

Meu irmão também és

Não vislumbro eu razão

Para levarmos c’os pés

 

Mas eu devo ser cego

Pois há pr’a cima de mil

A côr da pele não nego

Define-te logo o perfil

 

Branco, azul, preto, amarelo

Ó coitado meu irmão

Estás feito num farelo

 

Não vales mesmo um tostão

A razão para o atropelo

Existires é suficiente razão.

publicado por poetazarolho às 23:13 | link do post | comentar
Sexta-feira, 23.09.11

Lenços de sangue

 

Há na guerra quem chore

Também quem venda lenços

Já por lá vi vender pensos

Os vendedores são imensos

 

Vender esperança é que não

Querem a vida e a morte

Brincam com a nossa sorte

Impera a lei do mais forte

 

Com suor, lágrimas e sangue

E carne picada para canhão

Vão tornando o império grande

 

Nas suas mansões douradas

Primem um pequeno botão

As bombas já foram lançadas.

publicado por poetazarolho às 19:36 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 22.09.11

Sem tempo

 

Não tenho tempo a perder

E não o tenho a ganhar

Que o tempo parece correr

Não corro para o agarrar

 

É um tempo alucinante

De vertigens em catadupa

Por um caminho triunfante

O triunfo não me preocupa

 

Mais vale ficar sentado

À espera da última moda

Contemplando o firmamento

 

E por um poema enfeitiçado

Cujas estrofes nos recorda

Como o tempo corre lento.

publicado por poetazarolho às 23:48 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 21.09.11

Realidade da Lili

 

Para sempre sonhadora

Tantas as formas de sonhar

Apaixonada e sedutora

Tantas maneiras de gostar

 

Os tempos eu vou vivendo

E contratempos ultrapassando

Ser humano, em crescendo

As saudades vou gastando

 

Quem me dá a esperança

É a luz que ilumina o coração

E da minha vida é motor

 

Som da esperança é confiança

Do futuro aponta a direcção

Todo o esforço ameniza a dor.

publicado por poetazarolho às 23:17 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 20.09.11

Desagregação

 

Está falido o nosso mundo

Em breve vai ser resgatado

Velho mapa foi encontrado

Traz um desígnio profundo

 

Este é o mapa dum tesouro

Mensagem está codificada

Não será difícil a charada,

“Esquece todo o teu ouro

 

Deixa de venerar o cifrão

Preserva todo o teu ser,

Auxiliando o teu irmão

 

Evitarás a desagregação.”

Se o mundo não compreender

Então não haverá salvação.

publicado por poetazarolho às 21:41 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 19.09.11

Envernizados

 

Temos a felicidade a metro

Por isso o nosso ar tão feliz

Gargalhada é ao cronómetro

Se fôr demais estala o verniz

 

Estala o verniz da felicidade

E nestes tempos de aparências

Isso é uma enorme fatalidade

Coloca a nu todas as carências

 

Para ocultar mais vale parecer

Mesmo estando envernizados

Só o ar feliz deve transparecer

 

Nem que estejamos infernizados

Com o que nos está a acontecer

Nestes tempos conturbados.

publicado por poetazarolho às 23:36 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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