Segunda-feira, 31.10.11

Império da má sorte

 

Temos nossa alma à venda

Grandeza do ser português

Esta é mais uma contenda

Pode bem ser a última vez

 

Tinhamos por cá muito ouro

Com o diabo nos pormenores

Manchado de sangue o tesouro

Vil acordo entre os mentores

 

Esvaiu-se em guerras o sangue

Em extermínios e em lutas vãs

Sobra riqueza com cheiro a morte

 

Que não tornou o império grande

Não há paz nem consciências sãs

Nem justificação pr’á nossa sorte.

publicado por poetazarolho às 10:02 | link do post | comentar
Domingo, 30.10.11

Convergir

 

A vida tem muitas maneiras

Se és pássaro eu também sou

Quer tu queiras ou não queiras

Segue-me e vê por onde vou

 

Agradeço de forma sentida

Cada reparo feito e tão sincero

Pássaro livre segue a sua vida

Não seja este céu lugar severo

 

Olhos nos olhos, frente a frente

Sempre foi o melhor caminho

Para enfrentar a divergência

 

Em tudo aquilo que é diferente

Mente aberta e um certo jeitinho

Assim se constrói a convergência.

publicado por poetazarolho às 11:02 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 28.10.11

Plastificados

 

Na sociedade plastificada

Em que só a moeda conta

Tu já não contas pr’a nada

Se te indignas é um’afronta

 

Cresceste num meio hostil

Aprendeste com a solidão

Sentes-te só entre uns mil

Se te indignas lá vem bastão

 

Já não contas com os demais

Plastificado que foste também

Euforia provém da finança

 

Souberam engolir-te os natais

Aprenderam a tratar-te com desdém

Para que possam continuar a dança.

publicado por poetazarolho às 20:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 27.10.11

Velho fado

 

Já gastei toda a poesia

Mas não vou ficar calado

Quem sabe talvez um dia

Comece a cantar o fado

 

Ó povo, meu lindo povo

Teu destino eu vou cantar

Não esperes um fado novo

Não cantarei pr’a t’enganar

 

Cantarei teu destino triste

Todo o sangue, toda a labuta

Eu cantarei sem ter vaidade

 

Um povo que não desiste

De novo partirá nesta luta

Por cá deixará a saudade.

publicado por poetazarolho às 22:28 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 26.10.11

Encerrado

 

Engenheiro ou doutor

Capitão ou marinheiro

Mondina ou salineiro

Timoneiro ou remador


Estudante ou professor

Soldador ou ferreiro

Vendedor ou sapateiro

Fazendeiro ou agricultor

 

Na horta ou no lameiro

No teatro ou no barreiro

No cinema ou no areeiro

 

Mostra a tua indignação

Assina derradeira petição

Para encerrar esta nação.

publicado por poetazarolho às 20:35 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 25.10.11

Subvencionados

 

 Eles estão a abdicar

Do subsídio d’alojamento

Onde se irão alojar ?

Na escadaria de S.Bento

 

Venham ver os deputados

Estão a dormir ao relento

Deixem esmola aos coitados

Que está chuva, frio e vento

 

Ainda que não cuidem de nós

Deles temos que cuidar

Para que cuidem da nação

 

Senão o futuro será atroz

Sem nova lei pr’a aprovar

Que garanta uma subvenção.

publicado por poetazarolho às 22:03 | link do post | comentar
Segunda-feira, 24.10.11

Teus para sempre

 

Seguro o cálice de emoção

Olho o horizonte emergente

Tua dôr fere-nos o coração

Nunca te sentiremos ausente

 

Jamais aceitaremos um adeus

Sabemos que em breve voltarás

Estamos mais perto de Deus

Já renunciámos ao satanás

 

É nossa também essa tua dôr

Não voltamos a ti certamente

Não vamos chorar nem clamar

 

Sempre escreverás com fulgor

Nossos punhos, teus pr’a sempre

Somos pedaço de ti sem suplicar.

 

http://os7degraus.blogspot.com/

http://premios-prosa-poetica.blogs.sapo.pt/

publicado por poetazarolho às 22:41 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Domingo, 23.10.11

Sentir

 

 Eu sinto os outros à volta

As suas lágrimas eu choro

Também vivo a sua revolta

Pertenço a um imenso coro

 

Numa partilha infinita viver

Retira-nos muitas partículas

Mas se um dia há que morrer

Deixamo-las, essas gotículas

 

Grito agora contigo irmão

Contigo cantarei pl’o caminho

Arrastar-me-ei sem cantar

 

Quando a voz já me faltar

Sem forças terás meu carinho

É teu o pulsar do meu coração.

publicado por poetazarolho às 19:19 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sábado, 22.10.11

Não existo

 

Se eu penso logo existo

Alguém disse sem pensar

Se não pensando disse isto

Existência pôde dispensar

 

Não existindo esse alguém

Já pode pensar à vontade

Só poderá ser um ninguém

Pois não existe de verdade

 

E agora mais não te digo

Perdi o rasto à existência

Por pensar me meti nisto

 

Nunca pensei pr’a comigo

Pensar tornou-me ausência

Então é verdade não existo.

publicado por poetazarolho às 20:04 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Grilhetas

 

Nem um cêntimo pr’a guerras

Ou um tostão pr’a grilhetas

Tu que ouves tantas petas

Vê lá bem em quem ferras

 

Põe um filtro muito grande

Na antecâmara do teu pensar

Porque se não consegues filtrar

Vai haver quem te comande

 

Nem um escudo pr’a tabaco

Ou um euro pr’a whisky velho

Tanto fumar parte-te o caco

 

Beber ofusca-te o trambelho

O antepassado era um macaco

Tenta não ser um escaravelho.

publicado por poetazarolho às 00:24 | link do post | comentar | ver comentários (4)

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