Segunda-feira, 30.01.12

Ao som da orquestra

 

Orquestra continua a tocar

No centro da bela Europa

Sente-se a água a entrar

Mas a orquestra toca e toca

 

Em redor já ninguém escuta

Ouvem-se gritos d’aflição

Há ratazanas em disputa

Por um lugar de afirmação

 

Quem pôde o colete vestiu

E um lugar no bote ocupou

Quem não morreu afogado

 

Viveu um pouco mais e sentiu

Que a gula não compensou

Pois acabou por morrer gelado.

publicado por poetazarolho às 23:54 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 26.01.12

X Troika

 

Para que haja quem mate

Tem que haver quem morra

Repicam os sinos a rebate

À espera que a gente corra

 

Já ninguém está para correr

Numa guerra que é insensata

Sabem que têm que morrer

Pois já chegou quem mata

 

De olhar vazio e profundo

Ordenaram a mortandade

Que foi alvo de negociação

 

Com os responsáveis da nação

Que ordenaram a austeridade

Passaporte para outro mundo.

publicado por poetazarolho às 23:10 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quarta-feira, 25.01.12

Da(va-)vos

 

Com um objectivo impossível

Em Davos, na luxuosa estância

Começa a maratona incrível

Ricos e poderosos são substância

 

E os seus vassalos, os do poder

Na ânsia de trocos e por ganância

Vão dizer o que é preciso dizer

Personagens de falsa relevância

 

Que se leiloam entre os pares

Em números de puro malabarismo

O que responderei se perguntares

 

É possível mudar o capitalismo?

Sim sem dúvida, se considerares

A pergunta como um eufemismo.

publicado por poetazarolho às 23:23 | link do post | comentar
Terça-feira, 24.01.12

DEMOcracia

 

DEMOcracia pré-fabricada

De fabrico muito duvidoso

Com a alternância estudada

Entra o corrupto e vaidoso

 

E assim se gerem as nações

Se chega ao estado ruinoso

No off-shore estão milhões

E chega agora o habilidoso

 

Traz uma mala abastecida

E apregoa a nossa salvação

Se aceitarmos a austeridade

 

Morrerão uns com sida

Outros com sida morrerão

Tal não é a promiscuidade.

publicado por poetazarolho às 23:49 | link do post | comentar | ver comentários (1)

O trilho

 

De ontem já me esqueci

De amanhã não me lembro

Ao dia de hoje sobrevivi

Tomara já em Dezembro

 

E mais um ano passado

A pesar na minha conta

Será da vida um recado

Será da vida uma afronta

 

Sempre atento aos sinais

Muito atento a cada filho

Sempre olhando os demais

 

Caminhando se faz o trilho

Sempre em busca de ideias

Muita vida, muito sarilho.

publicado por poetazarolho às 00:46 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 22.01.12

O provedor

 

Vós que lá do vosso palácio

Dizeis ser provedor do povo

Que não seja este o posfácio

Antes de um provedor novo

 

Provedor da nossa incerteza

Das nossas angústias também

Com uma reforma de pobreza

Asilado no Palácio de Belém

 

Para as despesas não ganhais

Sois provedor das ambições

Dum país de chicos-espertos

 

Se andássemos mais despertos

Daríamos pelas contradições

Assim não merecemos mais.

publicado por poetazarolho às 16:25 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 20.01.12

Respirar

 

Não há crises na lua

Quem me dera lá viver

Não há oxigénio na rua

Vives lá só pr’a morrer

 

Crises são da humanidade

E do seu modo de pensar

Curta de vistas a realidade

Vou para a lua morar

 

Crio a fábrica d’oxigénio

Vou um governo instalar

Quem pr’a lá fôr a seguir

 

Vai encontrar este génio

E se pretender respirar

Vai ter que contribuir.

publicado por poetazarolho às 21:00 | link do post | comentar
Quinta-feira, 19.01.12

Bad guys

 

Bad girls go everywhere

Mas é preciso ser-se má

Bad boys meet you there

Isso é o que mais cá há

 

É raça humana, conheces?

Única espécie da criação

Que ante todas as preces

Não hesita, mata um irmão

 

Diz-se dotada de compreensão

Nunca vi tanta incongruência

Diz-se trás de origem coração

 

Será acessório pr’á violência

Pratica amiúde a humilhação

Por certo reflexo de inteligência.

 

http://girls-go.blogs.sapo.pt/

publicado por poetazarolho às 23:41 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 18.01.12

História

 

Vivemos um dia histórico

De muitos que se seguirão

Carnaval e carro alegórico

Enterro do bacalhau e caixão

 

Precisam conhecer a história

Para enquadrar a situação

A seguir a uma grande euforia

Segue-se sempre uma depressão

 

Não precisam saber economia

Precisam sentir a população

Saindo da redoma do poder

 

Quem muito o povo asfixia

Recebe de volta uma convulsão

Que não tardará a acontecer.

publicado por poetazarolho às 21:18 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 17.01.12

Guardador de luas

 

Ser guardador de luas

Foi sonho meu um dia

Mas sonho fez das suas

E muita lua não queria

 

O sonho ficou distante

A lua cheia prometida

Fez-se quarto minguante

Mas como prova de vida

 

Renasceu como lua nova

Fez-se quarto crescente

Foi lua sem se enganar

 

Lua que o ciclo renova

E interfere com a gente

Mas não se deixa guardar.

publicado por poetazarolho às 21:49 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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