Quarta-feira, 26.02.14

Selvagens

 

Se não sentiram na pele

Deviam respeitar memórias

Mas não é esse o papel

Destes contadores d’estórias

 

Vergonha há muito caiu

Nós fomos na avalanche

E assim o respeito ruiu

Tudo obra de revanche

 

Não é homem contra homem

Mas animal contra animal

Ao rei prestam vassalagem

 

Só assim o naco comem

Neste tempo onde afinal

Só singra o mais selvagem.

publicado por poetazarolho às 22:57 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 24.02.14

Vendedores vendidos

 

São saudades do futuro

Que me fazem estar aqui

Mas que não seja tão duro

Como aquilo que vivi

 

Já vi cair tanto muro

Mesmo assim sobrevivi

Também já vivi no escuro

Foi então que decidi

 

Meu próprio rumo traçar

Assim sem passos perdidos

Livre de contradições

 

E nunca mais acreditar

Nesses rumos prometidos

P’los vendedores d’ilusões.

publicado por poetazarolho às 22:43 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sexta-feira, 21.02.14

Extinção

 

O mundo vai existir

Mas o ser humano não

Se entretanto persistir

Na sua própria destruição

 

Muito não será pedir

P’ra evitar a extinção

Que possa ainda desistir

Que possa emendar a mão

 

Não é missão impossível

Se aqui quiser continuar

Faça por ser mais modesto

 

Procure descer ao nível

Onde o amor se situar

E verá a força desse gesto.

publicado por poetazarolho às 22:48 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 16.02.14

Doutores

 

O saber não é exacto

A sabedoria escasseia

Mas ouvimos cada pato

Desfazer-se em verborreia

 

São os tais especialistas

Sem qualquer especialidade

Jogam ao ar umas pistas

Para despistar, na verdade

 

E com isso vão vivendo

Conquistando a audiência

São doutores da midiatia

 

Que outros mesmo sabendo

Ao duvidar da sapiência

Vão construindo sabedoria.

publicado por poetazarolho às 22:32 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 11.02.14

Heróis

 

E depois do adeus

Não ficou a saudade

Grândola é dos seus

Ecoou pela cidade

 

Herói improvável

Enfrentou a ditadura

Nunca foi negociável

Sua razão mais pura

 

Um povo torturado

Muito além do limite

Anseando revolução

 

Soltou sentido brado

Ao lado duma chaimite

Empunhando cravo na mão.

publicado por poetazarolho às 22:44 | link do post | comentar
Segunda-feira, 10.02.14

Humanoides

 

Sendo grão de poeira

Duma existência finita

Descobriremos maneira

De ter vida mais bonita

 

Existência mais criativa

Do que esta vil ganância

Ou ficaremos à deriva

Na nossa primeira infância

 

Será um tempo perdido

Processo sem evolução

Espelho duma realidade

 

Antes não tivesse existido

Fosse um filme de ficção

Esta imagem da humanidade.

publicado por poetazarolho às 22:52 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 09.02.14

Poeiras

 

Na minh’alma apareceu

Uma memória perdida

Algo que não era meu

Mas era pedaço de vida

 

Pedaços de vida sonhados

De muitas almas memória

De muitas vidas bocados

Mas apenas uma história

 

Resumo de mil fragmentos

Num ponto do universo

Que da poeira nasceu

 

Restarão mil pensamentos

Após o processo inverso

Daquele que antes se deu.

publicado por poetazarolho às 17:05 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 08.02.14

Tempestade

 

Magnífica tempestade

Incontornável bonança

Compõem uma realidade

Que só pode ser esperança

 

As gaivotas sem vaidade

Rodopiam numa dança

Fazem-nos ver a verdade

Do presente que avança

 

Em direcção ao futuro

Conquistando a liberdade

Que ainda vai faltando

 

Será derrubado o muro

Que oprime a humanidade

E a seguir sairá voando.

publicado por poetazarolho às 00:07 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 05.02.14

Roleta académica

 

Humilha o teu irmão

Obriga-o a rastejar

Vai dar-te satisfação

E ajuda-lo a integrar

 

Não esperes gratidão

De quem não a pode dar

Pois falta-lhe compreensão

Que mais tarde há de chegar

 

Duma forma decidida

Quando conseguir enxergar

Tod’a sua imensa sorte

 

Ser preparado p’rá vida

Ao conseguir superar

Derradeira prova de morte.

publicado por poetazarolho às 23:11 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 02.02.14

Mutatis mutandis

 

E no tempo repetidos

Somos seres andantes

Pela realidade envolvidos

Somos às vezes pensantes

 

Julgamo-nos evoluídos

E somos apenas mutantes

Simples animais distraídos

Revelamo-nos como errantes

 

Repetimos atrocidades

Em nome duma evolução

Que pensamos promover

 

Crescem as monstruosidades

Às quais não dizemos não

E assim escolhemos viver.

publicado por poetazarolho às 18:10 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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