Quinta-feira, 28.01.21

Enquanto

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Enquanto o mundo destrói a verdade

Nas mãos do homem que não sente

Não sente o pulsar com intensidade

Dos que são arrastados na torrente

 

Por mil e uma formas de publicidade

Que lhes arrasam o corpo e a mente

Servindo novo espectro da felicidade

Salpicada num tom negro e ardente

 

Será prenúncio de uma nova idade

Das trevas silenciosa revolução

Que sem nos dar conta cavamos

 

Ou será um pedaço da realidade

Parte integrante da nossa condição

Que por não entender rejeitamos.

publicado por poetazarolho às 00:08 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 22.12.20

Universo inverso

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Eu vi o universo inverso

Aquele que não se conhecia

Onde tudo ficou disperso

Suspenso numa pandemia

 

Cigarra não lia o seu verso

A formiga já só dormia

O futuro foi ontem confesso

Nascido do passado que via

 

E nessa passagem estreita

Nomeada viela da emoção

Com a realidade ultrapassada

 

Desprovidos duma receita

Prosseguimos na ilusão

Dum futuro feito de nada.

publicado por poetazarolho às 16:29 | link do post | comentar
Quarta-feira, 26.08.20

Mistério

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Dar a vida por amor

A cada dia que passa

Pode sentir-se essa dôr

Como bala te trespassa

 

Mas refreia-se o ardor

Cresce-se sempre na graça

Pois chegado o redentor

Não leva, só nos abraça

 

Sente-se a luz do mistério

Porta aberta ao infinito

Não é passagem perdida

 

Parte nobre deste império

Onde na pedra está escrito

Que mistério é este da vida?

publicado por poetazarolho às 23:02 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 01.08.20

Povo convencido

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Quando eu já nada sei

Do pouco que não esqueci

Sento-me à beira do rei

E faço de bobo que ri

 

Porque nunca governei

Sinto apenas do que vi

Por certo não me enganei

Mas enganado eu vivi

 

Somos todos, um só povo

Que ao povo tudo pertence

Enquanto este está unido

 

Mas agora, um dado novo

Morre o povo se se convence

De nada haver-se esquecido.

publicado por poetazarolho às 16:27 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 03.07.20

Quanto

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Quanto vaga seja a vaga

Quanto de luz te ilumine

Quanto de sal ela traga

Quando a vaga se define

 

Quando a escuridão afaga

Quando o saber se suprime

Quando se começa a saga

Quanto do povo deprime

 

Vamos, vimos e ficamos

Entre artes de marear

Sabendo que a noite cai

 

Entre áis nos revelamos

E quando a sorte chegar

Quanto de nós já lá vai.

publicado por poetazarolho às 18:10 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 13.05.20

Na ausência

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Neste Maio peregrinei

Em linhas da minha mão

Palmo e meio calcorreei

Desd’a mente ao coração

 

Pelo caminho me dei

Sem esperar retribuição

Quando a mãe avistei

Foi enorme a satisfação

 

Todos juntos percorremos

Pedras da mesma calçada

Sem manifestar nossa dor

 

Na ausência nos movemos

Construindo nova estrada

Feita de blocos de amor.

publicado por poetazarolho às 20:13 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 08.04.20

Demonização

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Uma ideia cujo tempo chegou

Aproveita-se para um verso

E num ápice tudo aglomerou

Quanto nos parecia disperso

 

Demónio e anjo, humanizou

Sem nada de controverso

Invertendo tudo ordenou

Que se crie o seu inverso

 

Demónio assenta-lhe bem

Nesta nova configuração

Humanizado vê a luz do dia

 

Aprovado por todos no além

Sem nunca levantar suspeição

Pois que de anjo a pele vestia.

publicado por poetazarolho às 04:47 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 19.03.20

O regresso

O regresso.jpg

D’emergência é o estado

Que você deve usar

Ponha luvas com cuidado

Não esqueça desinfectar

 

Tussa sempre para o lado

Corra para as mãos lavar

E na máscara pendurado

Você deve sempre estar

 

Faça tudo tele trabalhado

Que o chefe vai adorar

Será sempre recompensado

 

Se as regras interiorizar

Que o regresso ao passado

Talvez possa assim chegar.

publicado por poetazarolho às 11:50 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 19.02.20

O resgate

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Resgatado numa viela

Quando já nada pedia

Tinha por luz uma estrela

Mais a água que bebia

 

O mundo estava à janela

Rodopiante e não me via

Mas que manhã era aquela

Em que a janela se abria

 

Em que o mundo extravasou

Raios fecundos em profusão

Que inundaram a cidade

 

E o ser perdido gritou

Num instante de explosão

Sê bem-vinda ó felicidade.

publicado por poetazarolho às 21:27 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 22.12.19

Erupção

Erupção II.jpg

A cultura pode ser chão

De mais profunda raiz

Há cultura em erupção

Mesmo se um não o quis

 

Hoje não vale um tostão

Armazena o que ele diz

Valerá em breve um milhão

Como as almas mais viris

 

Que sabendo aqui estão

Não para produzir matiz

Mas dar vivas à criação

 

Nunca subjugada a juiz

Donde brota insubmissão

Que molda cada aprendiz.

publicado por poetazarolho às 16:44 | link do post | comentar | ver comentários (3)

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