Domingo, 21.08.11

Casa assombrada

 

Poema de amor nem pensar

Não me sinto para aí virado

Já um de terror vem a calhar

Nem sequer estou assustado

 

Na esquina a casa assombrada

Faz subir a emoção ao limite

Fecho a porta, subo a escada

Estala o chão, não sei se grite

 

Meu coração já quer rebentar

Escuto enfim estrondo enorme

Um fantasma vem-me receber

 

Faz-me um gesto pra não gritar

Que o conde drácula já dorme

Se acorda meu sangue vai beber.

publicado por poetazarolho às 00:42 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 19.08.11

Discurso da flôr

 

Enchi de silêncio minhas palavras

E vazei meu copo de um só trago

Vi o ar de espanto que mostravas

Por ficar no ar este discurso vago

 

O silêncio extraíste das palavras

Com ele construíste uma linda flôr

Muda, com a qual sempre falavas

Contigo ela comunicava pela côr

 

Na arte suprema da comunicação

Esta relação nunca mais cedeu

Assim pela primeira vez na vida

 

Rebelde, entendeu o teu coração

Repleto de côr este discurso meu

Ausência de palavras foi resolvida.

publicado por poetazarolho às 20:58 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quinta-feira, 18.08.11

Mil futuros

 

Mil futuros vão existir

Serão de passados mil

Não serão por descobrir

Perguntas qual é o ardil?

 

São os passados a repetir

Pela força do esquecimento

Que o que passou há-de vir

Esta é lei em movimento

 

É um movimento perpétuo

Na sua forma sinusoidal

Por isso o filme que vês

 

É em círculos e não recto

Novidade é circunstancial

Já que o visionarás outra vez.

publicado por poetazarolho às 23:09 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quarta-feira, 17.08.11

Syntagma

 

Ficaram por lá as almas penadas

As pessoas passam apressadas

Olham, sentem-se embaraçadas

E algumas discutem intrigadas

 

Almas permanecem acomodadas

Nas suas tendas estão alojadas

Vêem-se as cuecas penduradas

Cartazes com palavras desgarradas

 

A dois passos está o parlamento

As lindas ruas chiques de Atenas

Compras, azafama, uma esplanada

 

Protesto arrefeceu, secou o lamento

Os turistas tiram uma foto apenas

Captam o instante da alma penada.

publicado por poetazarolho às 23:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 16.08.11

Eternidade

 

Eternidade é a encruzilhada

Do passado, presente e futuro

Com escala do tempo parada

Onde a cada instante perduro

 

Se a escala do tempo parou

Cada eternidade é um instante

Pois se o tempo se eternizou

Eternidade não é determinante

 

E passa o instante a dominar

Pois encerra em si a eternidade

Em que o tempo já não conta

 

Neste instante podes repousar

Com toda a paz e tranquilidade

Onde já ninguém te confronta.

publicado por poetazarolho às 22:16 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Segunda-feira, 15.08.11

Pleno vazio

 

A morte sempre encontrarás

Mesmo tendo imensa sorte

Aqui deste lado não ficarás

Contas ajustarás com a morte

 

Se lutas por o mundo mudar

Se sentes o dever cumprido

Quando a morte te vier buscar

Verás o caminho teve sentido

 

Teve o sentido da vida plena

E de uma procura incessante

Em concluir a obra inacabada

 

Se assim não foi é uma pena

Terá sido o caminho errante

Da vida pl’a morte esvaziada.

publicado por poetazarolho às 23:38 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 14.08.11

Novo eco

 

Eu vagueio na penumbra

E aprecio este vaguear

Lá fora onde a luz abunda

Parece estar-se a acabar

 

Há uma simetria assimétrica

Na geometria ensombrada

Também falha a aritmética

Nesta matemática frustrada

 

O eco que outrora conheci

Agora também não devolve

As palavras que lhe envio

 

A acústica não está em si

Não sei como isto se resolve

O novo eco é um desvario.

publicado por poetazarolho às 21:33 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 13.08.11

Sem alma

 

Podes perder a tua calma

No meio de uma confusão

Mas nunca percas a alma

Nem da alma abras mão

 

É que uma alma vendida

Nem que fora por um milhão

É como uma alma perdida

No meio de uma multidão

 

Pior que uma alma errante

Vagueando, ó triste destino

É uma alma de alma despida

 

Usando um traje cintilante

Debruado com ouro fino

Por haver sido corrompida.

publicado por poetazarolho às 23:24 | link do post | comentar

Instante

 

Que procuras tu aí

Nesse canto escondido?

Não vês que está aqui

O teu futuro perdido!

 

Se perdeste o teu futuro

O que esperas alcançar?

Um presente muito duro

Construído a trabalhar!

 

O futuro ainda é presente

Não tenhas outra ilusão

O presente já foi passado

 

Se o tempo estiver ausente

Todos os três coexistirão.

Já encontraste o teu fado?

publicado por poetazarolho às 00:07 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Quinta-feira, 11.08.11

Adapta-te

 

Se esta sociedade falhar

Foi o indivíduo que falhou

Cansado de tanto tentar

E a sociedade não singrou

 

Outro modelo por encontrar

Será a sociedade do futuro

E para isso vamos trabalhar

Prevejo que seja no duro

 

Sociedade será diferente

Disso nem podes duvidar

Esta falhou a outra não falha

 

Que venha ela simplesmente

O indivíduo vai-se adaptar

Nem que seja a da metralha.

publicado por poetazarolho às 19:30 | link do post | comentar | ver comentários (5)

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