Domingo, 18.09.11

Esperança

 

Esperança é a última a morrer

Todas as outras já morreram

E se alguma sobreviver

Não mais serão o que eram

 

Esta é a nossa fatalidade

Nesta hora de mudança

É certa a sua enfermidade

Mas há que salvar Esperança

 

Não te vás Esperança nossa

Fica p’ra sempre connosco

Eu sei que te fará mossa

 

Aturares o que aturamos

Assume connosco o risco

Sem ti Esperança não mudamos.

publicado por poetazarolho às 23:19 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 17.09.11

Inspiração

 

Eu ando sempre à procura

Mas inspiração é que manda

Às vezes é demasiado dura

Não quero mas ela abranda

 

Outras vezes estou a dormir

Dou um pulo sobressaltado

Olho e vejo a inspiração a rir

Corro e deixo tudo registado

 

Já umas vezes me aconteceu

Ir numa corrida desenfreada

A inspiração surgir de repente

 

Às vezes penso que morreu

A seguir aparece-me do nada

Viver sem ela é deprimente.

publicado por poetazarolho às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 16.09.11

O polvo vencerá

 

Povo que lavas no rio

Polvo que habitas o mar

Andamos num desvario

Se teimas em nos asfixiar

 

Pode haver quem te defenda

Numa relação tentacular

A nossa vida é tremenda

Ó polvo vai-te afogar

 

Então o polvo afogou-se

Povo pôde de novo respirar

O pesadelo foi transformado

 

Não o povo equivocou-se

Só se deu conta ao acordar

E pelo polvo foi asfixiado.

publicado por poetazarolho às 00:57 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 14.09.11

Mútuo consentimento

 

Sérgio não saiu, está de volta

Com a mão na música sempre

Traz uma bomba-relógio à solta

Não pode adivinhar o presente

 

Adivinhar futuro também é duro

Inventa a roda, já precisávamos

A valsa macabra é o som puro

Paranóia urbana dos humanos

 

Existe o mútuo consentimento

E ir a jogo faz parte desta vida

Mas não da vida sobresselente

 

Vai lá, convoca contra desalento

Activa as forças pra esta corrida

E terminarás intermitentemente.

 

http://musica.sapo.pt/sergiogodinho/musica-a-musica

publicado por poetazarolho às 20:46 | link do post | comentar | ver comentários (1)

A média

 

Pobreza está a aumentar

E a riqueza por suposto

És pobre não podes gastar

Deves poupar pró imposto

 

Depois recebes as migalhas

Que esse imposto te devolve

Mas vê lá se não te baralhas

Se pagas cem recebes nove

 

Mas se alguém fizer a média

Entre a riqueza e a pobreza

Dirá que estatisticamente

 

Não existe nenhuma tragédia

Embora uns tenham farta mesa

E outros nem dêem ao dente.

publicado por poetazarolho às 01:09 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 13.09.11

Cidadão

 

Revolução não está terminada

Tens prometida uma regressão

E não ouço grande contestação

É ilusão liberdade conquistada

 

Apenas por alguns foi usurpada

São os iluminados desta nação

A quem importas tu ó cidadão?

Coitado tens uma vida enredada

 

Liberdade chegou ao trambolhão

Apanhaste um overdose forçada

Julgaste que tudo tinhas na mão

 

Acordaste com a mona ressacada

Pr’a dose diária contas cada tostão

Cidadão tu não contas para nada.

publicado por poetazarolho às 01:05 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Domingo, 11.09.11

Ainda há torres

 

Sonhemos em memória

Dos que já não o podem

Pois são o pó da história

Das torres que implodem

 

Neste dia em que o homem

Mostra a veia da malvadez

Agora outros se consomem

Para derrubar outras dez

 

Depois hão-de derrubar mil

E outro milhão se seguirá

Não estará nunca saciado

 

O nosso âmago que é vil

Este périplo só terminará

Quando tudo fôr derrubado.

publicado por poetazarolho às 20:21 | link do post | comentar

A posta restante

 

Quem pelo sonho passeia

Anda muito desenganado

Não é sonho a verborreia

E o sonho já foi roubado

 

O larápio foi identificado

Nada de mal lhe aconteceu

Pelo contrário foi ilibado

E carta de alforria recebeu

 

Carta confere imenso poder

É do poder que ele mais gosta

Além do sonho já pode roubar

 

Rouba tudo a seu bel-prazer

Para nós resta a ínfima posta

Assim o estamos a mandatar.

publicado por poetazarolho às 12:48 | link do post | comentar

Cala-te Narciso

 

Sonhos estão em metamorfose

Pelo menos eu assim acredito

Ou será utopia em grande dose

Tal como Narciso me havia dito

 

Não sei mas perguntei ao Dalí

Que me respondeu em abstracto

Mas confesso que sobrevivi

Apesar da utopia ser um facto

 

Cala-te Narciso, respondi eu

Não quebres ao mestre o pensar

Espera a metamorfose acontecer

 

Mas o mestre já não respondeu

Parou, pensou e desatou a pintar

Assim Narciso acabava de renascer.

publicado por poetazarolho às 01:13 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sábado, 10.09.11

Poema emprestado

 

Sonhos não foram roubados

Apenas partiram pr’a guerra

Hão-de regressar reforçados

Pl’o cheiro a sangue e a terra

 

Nunca esquecem o seu autor

Mesmo mortos em combate

Pode-se abater um sonhador

Mas um sonho nunca se abate

 

Porque assim pode ser o sonho

Livres, genuíno, de força imensa

Tão semelhante à própria poesia

 

E se a liberdade não tem dono

Sonho também não tem pertença

Já este poema é teu por um dia.

publicado por poetazarolho às 00:30 | link do post | comentar | ver comentários (5)

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