Segunda-feira, 16.01.12

Culturas perdidas

 

Sigmund desaparecido

E Freud moribundo

Sartre mal parecido

E Aristóteles imundo

 

Conspurcada a filosofia

Cultura sem consciência

Ofuscadas pela iliteracia

Vou à loja de conveniência

 

Numa prateleira bem alta

Encontro antigas edições

Da filosofia espezinhada

 

Manual da cultura em falta

Em razoáveis condições

Mas já não serviu de nada.

publicado por poetazarolho às 22:18 | link do post | comentar
Domingo, 15.01.12

Os boys e o antílopes

 

Naquela imensa pradaria

Uma longa cerca a dividia

Dum lado abundância havia

Do outro pouco se comia

 

Dum lado luzidios boys a comer

Do outro os antílopes a sofrer

Selvagens tentavam sobreviver

Mas um dia quem havia de dizer

 

Acabou na pradaria a abundância

Pr’a comer era preciso labutar

Boys acabaram por definhar

 

Antílopes sem qualquer relutância

Magros e selvagens mas a lutar

Ainda hoje por lá devem andar.

publicado por poetazarolho às 18:12 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 14.01.12

Naquela aldeia

 

Da cidade não vou falar

Seu apelo não me seduz

Aldeia pode-me embalar

Encanta-me um raio de luz

 

E à tardinha no ribeiro

Da pele suada me liberto

Estendo a toalha no lameiro

Raios de sol mostram afecto

 

E na lareira à noitinha

Crepita um lume amigo

Aquece o tacho do jantar

 

E com muita pena minha

Chega a hora e não consigo

Apelo da manta de lã recusar.

publicado por poetazarolho às 19:27 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 13.01.12

À velocidade do pensamento

 

Sim, não foi a Maria João

Já que de casa não saiu não

Também não foi o Lapalice

Sim que isso seria tontice

 

Terá sido o Fernando Pessoa

Não, o pensamento dele voa

Só posso ter sido eu então

Agradeço-lhe a conclusão

 

À velocidade do pensamento

Nunca tinha pensado assim

Fez o favor de mo mostrar

 

Tem o meu reconhecimento

Já que a essa velocidade enfim

Descubro que escrevo sem pensar.

publicado por poetazarolho às 23:12 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Aluga-se

 

A barriga de aluguer

Só para quem a merece

Não é para quem quer

A mim não me apetece

 

Prefiro uma barriga ter

Quem ainda me aquece

Mesmo depois de nascer

E de mim não se esquece

 

A vida não se negoceia

Tudo é negócio na vida

Se teu ventre é transição

 

Com o fruto que escasseia

Os olhinhos na despedida

Também vão dizer não.

publicado por poetazarolho às 20:27 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 12.01.12

O seu reino

 

Rei das coisas pequenas

Raio de sol é seu reinado

Que ilumina as açucenas

Com que está ornamentado

 

Canto dos rouxinóis ecoa

No seu palácio de colmo

A decoração não destoa

Tapete de luz é um assombro

 

Tem arco-íris como portal

Dão boas-vindas as estrelas

Oferecem-te esta inscrição

 

Bem-vindo se não vem por mal

É seu o reino das coisas belas

Rainha é a contemplação.

publicado por poetazarolho às 21:59 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 11.01.12

Útero da eternidade

 

Minh’alma é pequena

Pr’abarcar tanto grito

Meu coração gangrena

Ao ver tanto irmão aflito

 

Mundo não tem conserto

Ignora toda esta aflição

Far-se-á o que está certo

Não mais haverá salvação

 

Próxima geração decerto

Continuará em gestação

No útero da eternidade

 

Pois sente o fim por perto

E prefere essa protecção

A fazer parte da humanidade.

publicado por poetazarolho às 19:32 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 10.01.12

Ervinha

 

D’ervinha tão espontânea

Não brotará uma solução

Mas uma sua sucedânea

Pode indicar a direcção

 

Em fino pó branco moída

E inalado com brusquidão

Vai pôr-te à roda na vida

Dominas qualquer situação

 

Sentirás a efémera glória

Vais ser o herói lá da rua

Até que acabe a alucinação

 

Vive pr’a contar a estória

Conta outra que não a tua

Ou serás o herói desilusão.

publicado por poetazarolho às 23:10 | link do post | comentar
Segunda-feira, 09.01.12

A solução

 

Solução foi encontrada

Mas o problema fugiu

É uma solução frustrada

O objectivo não atingiu

 

Pobre e triste da solução

Que sem o problema raiz

Vê recusada a sua paixão

Pois o problema não a quis

 

Alguém lhe disse, ò querida

Não estejas triste e abandonada

Há tanto problema a resolver

 

Se foste uma solução preterida

Podes ser solução reciclada

E ainda nos poderás valer.

publicado por poetazarolho às 23:19 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 08.01.12

Não sou

 

O poeta que não sou

Recebeu grande elogio

Além do que sou não vou

Mas é motivo de brio

 

Vindo da amiga poetisa

Também a grande mulher

Que é Maria sem camisa

E poeta porque Deus quer

 

E se eu fôr mais além

Na curta existência terrena

Não sou eu já vos digo

 

São muitos outros também

Os comandantes da pena

Que usa este vosso amigo.

publicado por poetazarolho às 21:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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