Quinta-feira, 16.02.12

Prosa nossa

 

Poesia grande mentirosa

Vê soluções onde não há

No drama solução jocosa

Da comédia a chorar sairá

 

E a nossa vida desditosa

Em breve se transformará

Numa comédia bem gostosa

Em que o mal desaparecerá

 

E se poeticamente falando

Não mais a vida vergonhosa

Que sabemos sempre haverá

 

Mas em poesia disfarçando

O pior é quando fôr em prosa

Tod’a normalidade retornará.

publicado por poetazarolho às 22:51 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 15.02.12

Nova Pietà

 

Na aflição foi descoberta

Está o filho morto ou ferido

A nova Pietà não é de pedra

Chaga infligida a ente querido

 

É a mesma de sempre afinal

Seja em pedra ou carne e osso

A chaga dos tempos é social

Cavada pelo imenso fosso

 

Agravada pela incompreensão

Surdez profunda da humanidade

Não ouve a constante revolução

 

Em marcha nesta sociedade

Onde um dia talvez pelo perdão

Surja límpida outra realidade.

 

http://aeiou.expresso.pt/conheca-os-nomes-da-pieta-iemenita=f704310

 

publicado por poetazarolho às 20:30 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Terça-feira, 14.02.12

Doce sabor amargo

 

Existe uma forma de amor

Ou pelo menos um milhão

Quantas haverá de desamor

As de todos os sem coração

 

Que povoam a terra inteira

E se deleitam a criar o terror

Com que dormem à cabeceira

Saboreiam o nosso amargor

 

Como uma doce sobremesa

Somos a gelatina a tremer

O doce de amêndoas e mel

 

Há que colocar sobre a mesa

Um prato de carne a feder

E um doce com sabor a fel.

publicado por poetazarolho às 19:46 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 13.02.12

Demónios de Atenas

 

Em Atenas demónios à solta

Desprovidos de sentimento

Instalam na ruas tal revolta

Perturbam anjos no parlamento

 

Que não conseguem trabalhar

Logo chamaram a autoridade

Para os demónios gasear

E poder aprovar austeridade

 

Missão cumprida finalmente

Os demónios foram exorcizados

Podem os anjos dormir em paz

 

Doravante tudo irá ser diferente

Não mais mercados excitados

E a revolta social aqui jaz.

publicado por poetazarolho às 23:15 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 12.02.12

Mausoléu

 

Que ninguém se martirize

Sobretudo os que consomem

O homem inventou a crise

E a crise destruiu o homem

 

Que construam o mausoléu

Para encerrar esta herança

Dos genes que lançam o breu

Destruindo qualquer esperança

 

Todos mortos, todos iguais

Ou uns mais iguais que outros?

Não há vivalma p’ra responder

 

Meus direitos eram fundamentais

Mas nunca os direitos doutros

A todos restou o direito a morrer.

publicado por poetazarolho às 21:10 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 11.02.12

Além mente

 

Partamos além da mente

Muito há para descobrir

Sem a poluição residente

Ninguém nos pode impedir

 

O mundo de ideias feitas

Há muito entrou em falência

Novo mundo não enjeitas

Além mente a clarividência

 

Se daqui não nos libertamos

Não passaremos de normais

Reféns duma existência banal

 

Aprisionados que continuamos

Nas nossas prisões conceptuais

Libertemo-nos da prisão mental.

 

http://www.universodeluz.net/modules.php?name=News&file=article&sid=901

publicado por poetazarolho às 00:37 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 09.02.12

Espiral louca

 

Sustentável leveza de não ser

É forma de existir confortável

Na actual sociedade do ter

Em que viver é insustentável

 

Podes existir, não mais viver

Existes e de forma inalienável

Concedem-te direito a sobreviver

Numa espiral louca e inenarrável

 

Agradeces a benesse concedida

A quem te oferece a sobrevivência

Se te permitissem mais irias sofrer

 

Assim tens existência protegida

Contra um estado de demência

Como alternativa emigrar ou morrer.

publicado por poetazarolho às 21:41 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 08.02.12

Povo deles

 

Custe o que custar meu povo

Vejam lá não sejam piegas

Que isto não é nada de novo

Um dia disse-o Mário Viegas

 

“Não me peçam sorrisos”

Um povo assim humilhado

Não se leva com tais avisos

E de todos vós vive cansado

 

Nós que construímos caminho

Sem reconhecimento nem glória

Cansados à tarde após a labuta

 

Dispensamos o vosso carinho

Não partilhamos da vossa vitória

Guardai p’ra vós os louros dessa luta.

 

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=VFOjhW1-bj0

 

http://www.youtube.com/watch?v=gl-UL6cm7Us

publicado por poetazarolho às 20:11 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 07.02.12

Fraco rei

 

Para que se construiu Abril

Estamos como em Janeiro

Só que agora há vozes mil

No covil quem é primeiro?

 

Instrução aos mais capazes

Lugar aos mais competentes

O trabalho com capatazes

E o poleiro p’rós dementes

 

Gritam-nos “vem aí o lobo”

E que a todos vai deglutir

Mas o pior está p’ra vir

 

Não será o estado novo

Será o que nos querem servir

Já não tem força este povo.

publicado por poetazarolho às 21:15 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 06.02.12

Evolução animal

 

Ser humano é tal e qual

Seu antepassado animal

A diferença fundamental

É o dinheiro, fez-lhe mal

 

Já não trata seus filhos

Com o carinho fraternal

Paga p’ra não ter sarilhos

Uma educação excepcional

 

E desta forma educados

Seus filhos criam os netos

Perpetuam os predicados

 

Com que brindarão bisnetos

Por mim tenho afilhados

Só o animal esbanja afectos.

publicado por poetazarolho às 21:09 | link do post | comentar | ver comentários (3)

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